
Reflexão final
Podemos considerar que a integração de Portugal na União Europeia passou por três fases distintas. A primeira fase, designada fase cética, ocorreu durante a governação de Cavaco Silva (1985-88) e caracterizou-se por ser uma fase bastante cética, onde o país esteve durante um longo período fechado à Europa, o que fez com que o projeto europeu fosse uma realidade desconhecida. A segunda fase, a fase otimista, que ocorreu entre o fim do mandato de Cavaco Silva e o Governo de Guterres (1989-2001), caracteriza-se por ser um período em que há um alto grau de investimento europeu em Portugal, com a construção de grandes obras públicas (autoestradas, hospitais, universidades) e com a projeção de uma imagem moderna do país. Esta fase é bastante benéfica para o país, pois é um período em que Portugal consegue captar bastantes fundos europeus, visto que, tendo em conta a sua conjuntura interna, era um país prioritário em várias políticas que visavam o desenvolvimento. Esta fase pode ser bastante criticada porque a opinião relativa à UE era confinada a progressos materiais e ao aproveitamento desses fundos para a estratégia de desenvolvimento do país; a UE era vista apenas como um projeto económico. A terceira fase corresponde ao realismo ou regresso ao pragmatismo. Esta fase coincide com o alargamento a Leste, que diminui os fundos estruturais que o país recebia e promove maior concorrência no mercado, com a instabilidade política interna (com a demissão de António Guterres e com a saída de Durão Barroso) e com a divergência da UE relativa à invasão no Iraque em 2003. Nesta fase realçam-se os efeitos negativos da integração, tais como as dificuldades na economia, nas finanças e na dívida pública. Assim, concluo que a integração europeia consistia num projeto benéfico para Portugal mas, por vezes, as decisões que foram tomadas (principalmente na 2ª fase) não contribuíram para que o país acompanhasse o crescimento dos outros países e continuasse bastante atrasado em alguns setores.

